quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Podemos chegar ao nível do gringos? Análises e resultados finais do Mini Os 2015

17h de segunda-feira. É dia 7 de dezembro. Chegamos em casa depois de uma maratona de 23 dias de motocross. Saímos do Brasil no dia 15 de novembro para acompanhar o piloto Rafael Becker no Mini Os 2015, voltamos no dia 4 de dezembro, cobrimos a final do Arena Cross, e cá estamos, de volta ao lar.
Muito aconteceu nestes 23 dias. Nos Estados Unidos, conhecemos o MTF – um dos mais famosos centros de treinamento do país -, fizemos amizade com novos pilotos brasileiros e suas famílias que vivem na Terra do Tio Sam, aprendemos novas técnicas, ficamos a par de novas tendências, visitamos lojas de motos, entendemos melhor os costumes americanos. Foram dias de aprendizado.
Difícil resumir tudo em um texto. Porém, há considerações interessantes que merecem destaque. Abaixo, algumas delas.

A experiência

 Disputar uma competição deste porte nos Estados Unidos é importante para qualquer piloto brasileiro,independente da idade ou da categoria. O motocross norte-americano é o mais intenso do mundo e quando você se insere neste universo, você entende melhor porque os pilotos daquele país têm uma representatividade tão grande neste esporte. Eles aprendem desde pequenos a largar no máximo e acelerar tudo durante toda corrida. Aprendem cedo a disputar um salto com três ou quatro saltando juntos, a largar com 40 motos no gate, a disputar a primeira curva com todas as forças. São treinados para isso com corridas curtas, de poucas voltas, em pistas repletas de canaletas e buracos, com subidas e descidas de colocar medo.
 

Os brasileiros

 Cada vez mais brasileiros estão encarando provas nos Estados Unidos. Além dos que saem daqui, há os que já moram nos EUA. Neste ano, dez nomes preencheram esta lista. Enzo Lopes, Rafael Becker e Marcello Leodorico saíram do Brasil especialmente para este evento. Ramyller Alves, Gabe Gutierres, Kevyn de Pinho, Andrew Ribeiro, Ricardo Souza, Dan Kirchoff e John Rezende moram por lá e viajaram até pista de Gatorback Cycle Park para participarem das provas.
Medir o desempenho deles contra os gringos é interessante para ver em qual nível se encontram os nossos atletas. Enzo, Rafael e Marcello competem regularmente no Brasil e tiveram bom desempenho no Mini Os.Marcello chegou a vencer uma bateria final no motocross da 65cc contra Ryder Difrancesco, piloto de 10 anos que já tem patrocínio da Kawasaki, da DC Shoes, entre outras grande marcas, e é apontado como promessa do esporte.
Enzo ganhou três baterias classificatórias, duas no supercross e uma no motocross. Bateu inclusive Challen Tennent, vencedor de 12 das 16 baterias finais da semana, e mostrou potencial para andar sempre entre os cinco melhores. Pecou nas largadas das baterias decisivas, e por isso não obteve resultados ainda mais expressivos.
Rafinha mostrou que pode mais, basta acreditar um pouco mais em si e encarar os gringos de igual para igual, sem medo de ser feliz. Evoluiu de 2014 para 2015, largou melhor, mas ainda precisa ser mais intenso como os norte-americanos. De qualquer maneira, voltou mais experiente e mais veloz.
Dos brasileiros que vivem nos EUA, destaque para Ramyller Alves. O garoto tem a agressividade dos gringos e também anda entre os cinco da 250. Foi outro que sofreu com largadas ruins e por isso teve alguns resultados acima do quinto posto, mas em termos gerais conseguiu um vice-campeonato no supercross – categoria Schoolboy 2 – e o terceiro lugar na 250B do motocross.
Os demais podem evoluir muito ainda, principalmente porque vivem nos EUA e disputam competições semelhantes todos os meses do ano. Gabe Gutierres tem apenas 15 anos e acabou de subir para as motos de 250cc, e já andou entre os dez na Schoolboy 1 – para motos de 125cc dois-tempos. Kevyn de Pinho e Andrew Ribeiro são crianças de seis e sete anos, respectivamente, Ricardo Souza é amador, e Dan Kirchoff e John Rezende disputam a categoria C da 250, destinada a atletas que ainda não se a andar na B (categoria semi-profissional).

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